quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Papo de Lince: Perda da Fé nas pessoas


Hoje, 01 de Fevereiro de 2017, aconteceu uma coisa bem chata. Meu irmão, muito coração mole que é, sempre que possível, quando uma pessoa bate à nossa porta pedindo comida, e não dinheiro, ele faz o possível para ajudar.
Hoje um rapaz pediu comida (como é muito comum aqui onde moro); com pena, ainda mais por que ele estava acompanhado de um filhote de cachorro, meu irmão deu comida ao rapaz e colocou um pouco de ração ao filhote. Minutos depois, eu já estava no quarto, quando começo a ouvir pessoas falando muito alto na rua, como se estivessem discutindo. 
Ao sair pra ver o que estava acontecendo, me deparo com a polícia abordando o mesmo moço na frente da minha casa. Segundo os policiais, ele era “arrombador de casas” e havia jogado pedra em uma loja de rede de “fast food” minutos antes à abordagem policial, além de ter invadido um restaurante que fica próximo uma semana antes. O policial informou que os delitos eram frequentes e ainda falou alto na rua, se dirigindo ao meu irmão, que não apareceu na porta, que “QUEM DÊ COMIDA A ELE QUE AGUENTE OS ASSALTOS DEPOIS”.
Detalhe: O cachorro que o acompanhava era cria da cadela que pertence ao meu vizinho, que o  rapaz havia acabado de furtar.
Depois do que ocorreu, percebi que meu irmão ficou muito triste e repetindo que ele ainda saiu como errado na história toda. Isso tudo me leva ao pensamento de que estamos perdendo a fé nas pessoas e a culpa é inteiramente nossa; dificilmente você acredita no próximo, mas a questão ainda pode ser mais delicada, pela simples razão de que não temos como saber o que passa no coração do outro. Está ficando cada vez mais difícil ser solidário, tentar ajudar o próximo, por que há muitas pessoas querendo tirar vantagem disso, se aproveitando do estado de vulnerabilidade comum a muita gente por aí.
Nós, as pessoas de bem, não conseguimos, eu particularmente, entender o que passa na cabeça de um assaltante, um homicida, um estuprador; mas o fato é a sensação de insegurança é constante por que a maioria dessas pessoas está solta por aí e nós ficamos trancados em casa atrás de muros, grades, cadeados, cercas elétricas e câmeras de vigilância.
Saio na rua com medo de ser a próxima vítima. Se percebo uma moto, bicicleta, ou pessoas suspeita se aproximando, já fico nervosa, com taquicardia, com aquela sensação de que todo o calor do meu corpo está se esvaindo, que vem do dedo do pé até o último fio de cabelo, procurando onde posso me esconder. Tudo isso em segundos; até que seja abordada e levem de mim o que conquistei, ou que meus pais conquistaram, com o suor de um trabalho digno, apenas com um simples comando e o levantar de braço apontando para mim um objeto de metal capaz de me calar, destruir vidas, derramar lágrimas e gerar revolta com único movimento do dedo indicador. A partir daí me questiono: Como as pessoas se tornam assim? Quão frágil é a vida humana? Como nos tornamos assim? Como nos tornamos pessoas desconfiadas, que “devem” ser egoístas e se preocupar apenas com o seu. E o outro?
Eu fico muito feliz em ajudar as pessoas, mas acabo ajudando os que eu conheço das necessidades, dos problemas, por que sempre fica aquela pulga atrás da orelha que te deixa na dúvida se você está sendo enganado, se aquela pessoa quer te machucar.

Perdemos a fé nas pessoas, é o que eu concluo. Seria tão mais simples viver sem essas desconfianças, mas também se fosse tão simples, não seria uma comunidade de seres humanos.